13 de jun de 2012

Morin e seus sete saberes


Iba Mendes
Sete, para muitos, um número místico, mas para Edgar Morin um número complexo. Antes de esclarecer esta colocação devemos conhecer quem é Morin.
Francês, nascido em Paris, em 1921, atualmente com 91 anos, formado em História, Geografia e Direito, é personagem importante nas novas concepções pedagógicas dos séculos XX e XXI.
Seus pensamentos contribuem para a construção e desconstrução de conceitos pedagógicos.
Morin crítica à fragmentação dos conteúdos, afirmando que o aluno aprende quando possui uma visão geral do assunto abordado. Por exemplo, através de viagens, compreende melhor a geografia, do que através dos livros didáticos. Na viagem o aluno viveria e visualizaria o contexto, o todo, e não apenas uma parcela do conceito que é ensinado na escola. Por isso, Morin é considerado o pai da Teoria da Complexidade, na qual condena a fragmentação no ensino e preconiza a interligação dos conceitos.
Uma representação dessa teoria é encontrada na sala de aula:

 “ele vê a sala de aula como um fenômeno complexo, que abriga uma diversidade de ânimos, culturas, classes sociais e econômicas, sentimentos... Um espaço heterogêneo e, por isso, o lugar ideal para iniciar essa reforma da mentalidade que ele prega”. (Pensadores,2007 p.2)

Esse espaço heterogêneo é o ambiente ideal para práticas pedagógicas interdisciplinares, ou seja, a construção de um conhecimento através da união das ciências.
Na obra Os sete saberes necessários à educação do futuro, Morin explora sete caminhos que os educadores podem trilhar para formar um aluno integral, ou seja, um cidadão crítico e reflexivo.
Mas é importante ressaltar que esta obra não se trata de uma receita de “como se deve ensinar”, ela deve ser considerada um instrumento de reflexão importante para a formação docente.

Submarino
Os setes saberes abordados são:

O erro e a ilusão
O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo” (MORIN, p 19, 2000).
O erro, para o filósofo, tem papel fundamental na reconstrução do conhecimento. 
Morin aborda que o conhecimento científico não está imune ao erro e a ilusão, pois ele é construído a partir das percepções humanas que podem ser falhas.
O autor subdivide o erro em três tipos: mental, intelectual e da razão.
Cabe à educação detectar a origem dos erros, ilusões e cegueiras (MORIN, 2000).

Conhecimento pertinente
“O conhecimento do mundo como mundo é necessidade ao mesmo tempo intelectual e vital” (MORIN, p 33, 2000).
Parafraseando o autor pode-se dizer que “é preciso conhecer o mundo através do reconhecimento global do mesmo”. Por isso ele propõe que o conhecimento seja abordado de uma forma contextualizada, global, multidimensional e complexa. São abordagens indissociáveis no processo de ensino aprendizagem de qualquer sujeito.

Ensinar a condição humana
“Conhecer o humano é, antes de mais nada, situá-lo no universo, e não separá-lo dele” (Morin 2000 p 45).
Logo, uma concepção de que o ser humano deve reconhecer-se como parte integrante do universo ao qual está inserido, ou seja, agindo em seu contexto e tornando-se assim um ser complexo.

Ensinar a identidade terrena
“A riqueza da humanidade reside na sua diversidade criadora, mas a fonte de sua criatividade está em sua unidade geradora” (MORIN, p 62, 2000).
O ser humano é complexo, pois é uma unidade que compõe uma sociedade, também complexa.
Convém ensinar a história da formação dessa sociedade através da união de todos esses seres.

As incertezas
O futuro permanece aberto e imprevisível.” (MORIN, p 76, 2000).
O que é problema agora não é mais amanhã, pois se uniu a outros problemas ou deixou de ser problema. Ou seja, não há um determinismo nas ações a serem tomadas.
Na escola é necessário apontar que não existe ação ou pensamento pedagógico eternos, imutáveis ou infalíveis.

Compreensão
“A consciência de ser solidários com a vida e a morte, de agora em diante, une os humanos uns aos outros” (MORIN, p. 90, 2000).
Diante de tantos conflitos e catástrofes há uma necessidade urgente de promover a compreensão mútua entre os seres humanos.
Cabe as escolas ensinar as raízes da incompreensão humana afim de despertar, a partir de reflexões, a compreensão.

Ética do gênero humano
“Os indivíduos são mais do que produtos do processo reprodutor da espécie humana” (MORIN, p. 102, 2000).
A educação deve promover a consciência de que o ser humano é a união do indivíduo, da sociedade e da espécie.
Logo, o ensino deve conduzir o sujeito à ética que proporcionará um harmonia nessa tríade.

Por fim...
Morin aborda a importância de uma educação unida, livre de conceitos soltos, sem relação com a vida do aluno. Por isso destaca-se a relevância que a teoria da complexidade tem na educação.
Por meio desta obra, ele nos convida a enxergar o Homem de uma maneira realmente ampla e construtiva e a escola deve colaborar com a construção desse homem complexo.


Leandro Alves e Paloma Silva


Referências Bibliográficas:

FERRARI, Márcio. Edgar Morin, o arquiteto da complexidade, In: Nova Escola, outubro de 2008. Disponível em <http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/arquiteto-complexidade-423130.shtml>.
Acesso em: 20/5/2012.

MORIN, Edgar. Os setes saberes necessários à educação do futuro. Editora Cortez, 2ª Ed., São Paulo: 2000.

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