24 de mai de 2012

Johann Heinrich Pestalozzi: educação do amor

Zürich
Vida

Johann Heinrich Pestalozzi nasceu em Zurique, Suíça, em 1746 e faleceu em Brugg, Suíça, no ano de 1827.
Em meio à nova Europa Capitalista do século XVIII e influenciado pelo filósofo Rousseau, Pestalozzi idealizou a possibilidade de libertar o povo através da educação.
Seu primeiro passo foi largar os estudos religiosos e se dedicar à vida pública, tornando-se um idealista da educação.
Em 1769 casa-se com Anna Schulthess, mulher de ideias humanistas como ele. Juntos, em 1774, funda a Fazenda Neuhof, um instituto para crianças carentes que tinha como proposta unir a educação e o trabalho. Essas crianças aprendiam um ofício com base nas ideias naturalistas vigentes na época e nas horas vagas eram instruídas.
Mas devido ao pouco tino administrativo do pedagogo suíço, a fazenda obtém muitas dívidas e fecha suas portas em 1780.
Então Pestalozzi resolve explorar suas ideias através de livros, o mais famoso foi Leonardo e Gertrudes (1781) que futuramente seria desdobrado em quatro volumes. Uma novela que popularizaria a ideia da reforma educacional, através da descrição da vida simples do campo e da dedicação de uma singela mulher.

Orfanato em Stans

Encyclopaedia Britannica Kids
Os anos se passam e o pedagogo ainda permanece inquieto, pois deseja continuar sua missão de educar as crianças.
É então que em 1798, devido à guerra napoleônica, surge à oportunidade de Pestalozzi dirigir um instituto para crianças órfãs, vítimas da guerra, na cidade de Stans.
O orfanato é subsidiado pelo governo suíço e o humanista vira mestre-escola. Começa então a desenvolver com as crianças as novas práticas educativas que tanto relatou em suas obras. Além de professor, torna-se “pai” dessas crianças, aplicando a pedagogia do amor que fortalece o caráter.
Por questões políticas, seu trabalho no instituto é interrompido após seis meses, e ele rompe com o governo lançando a Carta de Stans, na qual explica sua filosofia e metodologia.

"Minha convicção e meu objetivo eram um só.
Na verdade, eu pretendia provar, com minha experiência, que as vantagens da educação familiar devem ser reproduzidas pela educação pública e que a segunda só tem valor para a humanidade se imitar a primeira.
Aos meus olhos, ensino escolar que não abranja todo o Espírito, como exige a educação do homem, e que não seja construído sobre a totalidade viva das relações familiares conduz apenas a um método artificial de encolhimento de nossa espécie.
(...)
O homem quer o Bem com tanto gosto, a criança tem tanto prazer em abrir os ouvidos para o Bem! Mas ela não o quer por ti, professor, ela não o quer por ti, educador, ela o quer por si mesma. O Bem, para o qual deves conduzi-la, não deve ter nenhuma relação com os teus caprichos e com as tuas paixões. É preciso que a natureza da coisa seja boa em si e pareça boa aos olhos da criança. Ela precisa sentir a necessidade da tua vontade, conforme sua situação e suas carências, antes que ela queira a mesma coisa.
(...)
Mas toda essa vontade não é produzida por palavras, e sim pelos cuidados que cercam a criança e pelos sentimentos e forças gerados por esses cuidados. As palavras não produzem a coisa em si, mas apenas o seu significado, a sua consciência."


(Trecho da "Carta de Stans", descrição do trabalho realizado no orfanato em 1799)

Instituto de Iverdon

Nova História
Pestalozzi continua a se dedicar a educação e tem mais duas experiências, nas escolas de Burgdorf e Iverdon. Nesta última, o seu nome foi projetado para outros países, o que lhe rendeu inúmeras homenagens.
O Instituto de Iverdon foi considerado uma escola-modelo em toda a Europa, sob á direção de Pestalozzi por um período de vinte anos.
“O funcionamento do Instituto de Iverdon era revolucionário para os padrões da época: portões sempre abertos, liberdade para os alunos, dez horas de aula por dia, salas de trabalho, trabalhos manuais, aulas de ginástica e natação ao ar livre, pesquisas de botânica e biologia junto à natureza, utilização da música e dos alunos mais adiantados como sub-mestres. Todos os domingos, numa assembleia geral, era feita uma avaliação dos trabalhos desenvolvidos na semana”, dizem Marcus de Mário e Ronaldo Gomes, do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM).
Esses ideais eram uma antecipação das concepções do movimento da Escola Nova que surgiria na virada do século XIX para o XX.
A diversidade de seres humanos que habitavam o instituto era muito rica. As crianças e os jovens aprendiam na convivência escolar os ideais da Revolução Francesa: liberdade, fraternidade e igualdade.
Pestalozzi ensinava aos seus quase 150 alunos que “o amor é o eterno fundamento da educação”.

Processo Educativo
Doraincontri
Para Pestalozzi “o processo educativo deveria englobar três dimensões humanas, identificadas com a cabeça, a mão e o coração. O objetivo final do aprendizado deveria ser uma formação também tripla: intelectual, física e moral. E o método de estudo deveria reduzir-se a seus três elementos mais simples: som, forma e número. Só depois da percepção viria a linguagem. Com os instrumentos adquiridos desse modo, o estudante teria condições de encontrar em si mesmo liberdade e autonomia moral”, diz Márcio Ferrari do Educar para Crescer. Para o pedagogo todo esse processo era pautado no amor, principalmente o amor materno, pois só o amor seria capaz de levar o homem a plena realização moral.
Por isso a escola, segundo a sua concepção, deveria ser uma extensão do lar, ou seja, um ambiente seguro e afetuoso. E o professor como um “pai” deveria respeitar os estágios de desenvolvimento pelos quais as crianças passam, observando suas necessidades e evoluções.

Paloma Silva e Patrícia Pereira
Referência Bibliográfica:

FERRARI, Márcio. Joahann Heinrich Pestalozzi. Educar para Crescer. 2011. Disponível em: <http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/pestalozzi-307416.shtml>. Acesso em: 2/4/12
IBEM, Instituto Brasileiro de Educação Moral. Pestalozzi. Disponível em: <http://www.educacaomoral.org.br/pesta_lozzi.htm>. Acesso em: 2/4/12

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